caópolis.


Dual (Exposição)

Local: Galeria Capibaribe, no térreo do CAC/UFPE
Artista: Victor Maristane
Curadoria: Jeims Duarte e Victor Maristane
Abertura: 06 de agosto de 2009, às 12h
Visitação (encerrada): 07 a 21 de agosto, das 8h às 17h – segunda a sexta

Apresentação

Em teoria, a visão maniqueísta do universo, de bem e mal, certo e errado, está ultrapassada. A ótica atual, não exatamente a dominante, mas a que mais cresce, tende para uma percepção muito menos polarizada do mundo. Uma percepção, de fato, mais plausível, já que a maioria das tentativas de polarização do universo surgiu de interpretações arbitrárias e limitadas do ambiente ao redor, enquanto que todas as análises e reflexões aprofundadas quebram essa polaridade, demonstram que o universo é dual, mas não por ser dividido em dois, e sim por ser ambivalente, ser duas coisas ao mesmo tempo. Coisas distintas, mas inseparáveis, indestrutíveis e necessárias: ordem e caos, ser e não-ser, causalidade e acaso, Yin e Yang. Não são, contudo, forças antagônicas. Elas meramente coexistem, são quase simbióticas. Polarizá-las indica supervalorização das opiniões pessoais e não dos fatos, o que não seria exatamente um problema se essas opiniões não fossem fortemente influenciadas pelas instituições, como a religiosa, a política e a educacional, propagando preconceitos e até conflitos, que não deixariam de existir se cada um pensasse por si próprio, mas seriam muito menos intensos, pois perderiam o tom de “verdade universal” que lhes é atribuído.

Profundo, mas isso tudo pouco tem a ver com a proposta desta exposição. Esta minha quebra do discurso, por sua vez, tem sim, e muito, pois esta é uma exposição sobre ironia, hipocrisia, ambiguidade, transição, volatilidade, contraste… É sobre o inusitado, o imprevisto e até o incômodo. No fim das contas, o nome Dual acaba fazendo sentido, só não sei explicar por que, não com palavras, por isso fiz desenhos, do contrário haveria escrito poemas… Ou talvez eu tenha de fato escrito poemas, mas não com palavras… Ou talvez com palavras sim, no caso dos ambigramas. Sei lá. Alguém poderia explicar minha exposição para mim, por favor?

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Dual é minha primeira exposição (lembro de ter exposto uns três quadros bestas em um evento na minha escola, quando eu tinha 10 anos, mas acho que não conta) e apresenta 13 obras e 23 ambigramas. Estive me dedicando a ela há mais de seis meses. Lamento não ter tido tempo de fazer mais obras (tive idéias para mais 14, que tive que deixar de fazer… desta vez) ou pelo menos obras mais complexas e maiores, mas estou em ano de vestibular e de conclusão de curso no IFPE e tive que ser rápido e objetivo. Pincelei meu “arsenal”, “o que eu sou capaz de fazer”, da maneira mais breve possível, esperando que seja o bastante para abrir portas para outras oportunidades, às quais poderei me dedicar com mais calma e qualidade.

Eu não tinha e continuo não tendo planos de viver de arte, pelo menos não das artes plásticas (a repercussão da exposição pode mudar isso, e confesso que espero que mude mesmo). Quero escrever livros. Estou expondo quase que por acidente. Eu estava querendo saber do resultado de um concurso de poesias, e fiquei acompanhando as notícias do site da UFPE (embora depois eu tenha lembrado que o concurso tinha sido da UFRPE), e acabei vendo sobre as inscrições para expor na Galeria Capibaribe. Na época eu não tinha muitos trabalhos, então, quando fui selecionado, pediram-me que produzisse mais, e é o que estive fazendo nos últimos meses, nas minhas poucas horas vagas (embora fosse minha preocupação maior, acima da escola e tudo o mais).

Nesse meio tempo, contudo, mergulhei de cabeça no mundo dos ambigramas, fazia um ou outro regularmente, e acabei pedindo que alguns fossem incorporados à exposição, o que acabou influenciando fortemente na escolha do nome Dual para ela. O fato mais interessante, porém, é a interligação que acabei fazendo entre os ambigramas e os desenhos da exposição, ao produzir obras absolutamente incríveis (perdão pela imodéstia) como Retrato de Jan Svankmajer e Vitiligo (esta propositalmente não digitalizada), que são meio que “desenhos ambigramáticos”, utilizando-se de uma técnica simples e inovadora que, não duvido, estará algum dia em campanhas publicitárias e coisas do tipo.

Enfim, minha produção para a exposição virou outra coisa, tomou outro rumo, atingiu outros patamares, superou, e muito, as minhas próprias expectativas. Quando tudo começou, eu nem fazia questão de ser selecionado para expor, não esperava nada, eu só queria o resultado do concurso de poemas… Mas agora… Agora minha vida esteve girando em torno dessa exposição, esperei muito dela. Dei meu sangue produzindo, e, depois que a galeria foi aberta, dei meu sangue divulgando.

A exposição, por causa de algum mau planejamento do calendário da galeria, ficou aberta por relativamente pouco tempo, menos de 15 dias, quando o normal é cerca de um mês, e ainda assim 563 pessoas assinaram o livro de visitas (mas algumas, não poucas, foram e saíram sem assinar enquanto eu estava distraído :D), um número espantoso. Infelizmente algumas pessoas-chave não compareceram, ou demoraram a comparecer, o que comprometeu totalmente as questões de divulgação envolvendo a imprensa. O sucesso vai ter que esperar agora :P.

Falando em divulgação, eis a notícia no site da UFPE sobre a exposição: http://www.ufpe.br/new/visualizar.php?id=11232

E abaixo está o “convite eletrônico” (só serve para convidar mesmo, a entrada é franca):

Dual

Obrigado a todos que compareceram!

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