caópolis.


Ser e não ser, eis a resposta
12/09/2010, 10:16
Filed under: Poemas | Tags:

Mentir é essencial para sobreviver à vida
Embora ela deixe de ser vida quando se mente
Viver torna-se uma experiência extracorpórea

Lavo minhas mãos
Do sangue do qual estão encharcadas
Não é de minha responsabilidade
Nada do que acabei de fazer

Não sei por que estou fazendo isto
Não sei por que não fiz isto antes

Porque agora
Um delicioso caos
Está infestando minha realidade
Prédios de vapor são só o que resta
E uma moeda

Bem e mal
Eis a moeda

Lanço-a e lanço-a
Por não saber qual escolher
Viver torna-se uma experiência aleatória

Eis-me apunhalando quem mais amo
Eis-me beijando os pés de quem odeio
Eis-me mentindo para mim mesmo
E acreditando

E minhas mentiras tornam-se verdades
E minhas verdades sempre foram mentiras
Viver torna-se uma experiência contraditória

E também o é minha confissão
Estou mentindo verdades
Não acredite em mim
Não sou mais eu mesmo
Sou eu mesmo enfim

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Meia-Noite no Circo
26/07/2009, 15:56
Filed under: Poemas

Minha primeira série de poemas desde Caópolis. Esta de agora, contudo, é composta por poemas independentes e sem ordem cronológica (sequer sei se já a terminei… é uma série que pode ser sempre expandida), e usa de ambientação e imagens circenses, nada de cidades e tecnologia.

Comecei a escrever os poemas como algo pessoal, sem perspectiva de serem postados, mas depois percebi que falam de sentimentos e situações comuns a quase toda pessoa de minha faixa etária. O primeiro que escrevi desta série foi O Palhaço, nome que surgiu depois de eu haver começado a escrever O Malabarista (antes estava sem título) e, com isso, ter tido a idéia de fazer uma série de poemas. Esses dois que citei eu já postei por aqui, e acho que são os melhores da série até agora, junto com O Mágico. Enfim, vamos aos poemas:

O Palhaço

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O Malabarista

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O Comedor de Fogo

Vejam, eu engulo fogo!
Venham todas as chamas do mundo!
Eu as engolirei
Também, contudo, as sei cuspir
Melhor saírem do caminho quando acontecer

Devo também dizer
Que o fogo não queima a minha pele
Não mais
Não depois de minha ida ao Inferno

Mas queima minhas memórias
Minha mente… incandescente
Acho que vou cuspir fogo agora
Todos vocês, saiam da frente!

Oh, não! O circo está em chamas!
Oh, sim! Sou um dragão agora!
Posso voar

Delírio premortem
Estou queimando como todos os outros
Até porque nunca estive no Inferno de verdade
(Até agora)

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O Domador

Estou na jaula com a criatura
Domo ela há anos
Mas ainda não perdi o medo
Como eu poderia?
Nunca a conheci direito
(E o desconhecido é sempre assustador)
Apenas me dizem para chicoteá-la
E garantir que fique mansa
E é o que faço

Mas seus grunhidos sinistros…
Suas garras gigantescas…
Seus dentes afiados
Rindo e sorrindo de minhas chicotadas
Brilhando na escuridão
Únicas coisas visíveis em sua forma negra
Ela pode me estraçalhar assim que quiser
Assim que eu quiser…
É minha mente que a segura, não meu chicote
Mas apenas sei segurar meu chicote, não minha mente

Levanto um braço, ela levanta
Inclino a cabeça, ela inclina
É um espelho!
Saio correndo

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O Mágico

A quem eu quero enganar?
(Ora, a todos, é minha profissão!)

Agora estou aqui
Agora não estou mais
Ops! Cadê minha perna?

Enfio uma espada na caixa
Depois outra espada
Ops! De onde veio esse sangue?

Tiro a cartola da cabeça
Enfio a mão na cartola
Ai! Quem pôs este caranguejo?

Vou tentar algo mais seguro…

Esta é a carta que você escolheu?
Não?
Mas veja bem, é parecida…

A quem eu quero enganar?
A quem eu preciso enganar?
A mim mesmo?
Deve ser
Pois foi só o que fiz até agora

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Se eu vier a escrever mais poemas desta série, posto separadamente e adiciono o link a esta lista.



Lavagem Cerebral
17/07/2009, 21:32
Filed under: Poemas | Tags: ,

Uma mentira dita cem vezes torna-se…

Valor moral
Estigma
Religião
Dogma
Aforismo
Doutrina
Ensinamento

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Brinquei com a célebre frase de Josef Goebbels, Ministro de Propaganda de Hitler.



Retroalimentação
16/07/2009, 12:58
Filed under: Poemas | Tags: ,

Dizem que a moda muda
M… moda nenhuma!
Muda é essa gente
Que só abre a boca
Para engolir m… moda
E vomitar essa m… moda de volta
Para que outros engulam

Revoluções, raras verdadeiras revoluções
Acontecem lentamente
Pois quem está um passo à frente, chamam visionário
Mas quem já está a um quilômetro, chamam demente

Perdoem-lhes
A distância demasiada é problemática
Ainda mais para essa gente míope
Até faz o Sol parecer menor que a Terra…



O Malabarista
13/07/2009, 16:38
Filed under: Poemas | Tags: ,

Coisas demais
Ao mesmo tempo

Meu crânio, meu coração
Meu relógio de bolso, meus olhos
O útero de minha mãe, minha próstata
Minha máscara feliz, minha máscara triste
Nada pode cair

É melhor me aplaudirem agora
Não sei se o show vai acabar bem

Ora em minha mão, ora no ar
Ora em minha mão, ora no ar
Ora no chão… Droga!

Ei, por que eu estava preocupado?
Não há vaias!
(A verdade é que não há ninguém)

————————————–

Mais um da série Meia-Noite no Circo.



O Palhaço
11/07/2009, 23:48
Filed under: Poemas | Tags: ,

Situação ridícula a minha
Caminhando desajeitado
Mas é que…
É desconfortável ter apenas um corpo
Para tantas almas…
Ter apenas um coração
Para tantos amores
(Um só coração pra tantas dores)

Visto tantas máscaras
Uma sobre a outra
Quem nem lembro mais
Como é o meu rosto
(Eu tenho um rosto?)

É, no mínimo, injusto
Morrer apenas uma vez
Tendo tantas vidas
Ter apenas uma pele
E tantas feridas

A última máscara
Está colada à minha face
Tirá-la me desfigura
Não sei se isso é ruim
(Talvez eu já fosse desfigurado)

Já fiz com que todos rissem
Agora preciso cuidar de mim

————————————–

Este é o primeiro poema de uma série que ainda estou escrevendo e pretendo chamar de Meia-Noite no Circo.



Pária no Mundo dos Loucos
10/07/2009, 20:35
Filed under: Poemas | Tags:

E se todos estiverem loucos
De uma mesma loucura
Menos você
Quem é normal?
Você ou eles?

E se todos acreditarem
Numa mesma mentira
Como, e por quê
Fazê-los acreditar
Na sua verdade?

E se todos sofrerem
Da mesma cegueira
Qual mundo é real
O seu, cheio de cores?
Ou o deles, de trevas?

Se todos acreditarem
Na mesma religião
Menos você…
Cale-se, esconda-se
É o melhor a fazer
Eles não vão te ouvir

Eles não querem sanidade
Eles não querem verdade
Eles não querem enxergar

Em terra de cego, quem tem olho é pária

Você é o messias de que eles precisam
Mas não é o messias que eles querem