caópolis.


Meia-Noite no Circo
26/07/2009, 15:56
Filed under: Poemas

Minha primeira série de poemas desde Caópolis. Esta de agora, contudo, é composta por poemas independentes e sem ordem cronológica (sequer sei se já a terminei… é uma série que pode ser sempre expandida), e usa de ambientação e imagens circenses, nada de cidades e tecnologia.

Comecei a escrever os poemas como algo pessoal, sem perspectiva de serem postados, mas depois percebi que falam de sentimentos e situações comuns a quase toda pessoa de minha faixa etária. O primeiro que escrevi desta série foi O Palhaço, nome que surgiu depois de eu haver começado a escrever O Malabarista (antes estava sem título) e, com isso, ter tido a idéia de fazer uma série de poemas. Esses dois que citei eu já postei por aqui, e acho que são os melhores da série até agora, junto com O Mágico. Enfim, vamos aos poemas:

O Palhaço

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O Malabarista

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O Comedor de Fogo

Vejam, eu engulo fogo!
Venham todas as chamas do mundo!
Eu as engolirei
Também, contudo, as sei cuspir
Melhor saírem do caminho quando acontecer

Devo também dizer
Que o fogo não queima a minha pele
Não mais
Não depois de minha ida ao Inferno

Mas queima minhas memórias
Minha mente… incandescente
Acho que vou cuspir fogo agora
Todos vocês, saiam da frente!

Oh, não! O circo está em chamas!
Oh, sim! Sou um dragão agora!
Posso voar

Delírio premortem
Estou queimando como todos os outros
Até porque nunca estive no Inferno de verdade
(Até agora)

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O Domador

Estou na jaula com a criatura
Domo ela há anos
Mas ainda não perdi o medo
Como eu poderia?
Nunca a conheci direito
(E o desconhecido é sempre assustador)
Apenas me dizem para chicoteá-la
E garantir que fique mansa
E é o que faço

Mas seus grunhidos sinistros…
Suas garras gigantescas…
Seus dentes afiados
Rindo e sorrindo de minhas chicotadas
Brilhando na escuridão
Únicas coisas visíveis em sua forma negra
Ela pode me estraçalhar assim que quiser
Assim que eu quiser…
É minha mente que a segura, não meu chicote
Mas apenas sei segurar meu chicote, não minha mente

Levanto um braço, ela levanta
Inclino a cabeça, ela inclina
É um espelho!
Saio correndo

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O Mágico

A quem eu quero enganar?
(Ora, a todos, é minha profissão!)

Agora estou aqui
Agora não estou mais
Ops! Cadê minha perna?

Enfio uma espada na caixa
Depois outra espada
Ops! De onde veio esse sangue?

Tiro a cartola da cabeça
Enfio a mão na cartola
Ai! Quem pôs este caranguejo?

Vou tentar algo mais seguro…

Esta é a carta que você escolheu?
Não?
Mas veja bem, é parecida…

A quem eu quero enganar?
A quem eu preciso enganar?
A mim mesmo?
Deve ser
Pois foi só o que fiz até agora

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Se eu vier a escrever mais poemas desta série, posto separadamente e adiciono o link a esta lista.

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NDesign (ambigrama)
19/07/2009, 20:26
Filed under: Ambigramas | Tags: , , ,

Algumas palavras pedem para virar ambigrama… E é quase impossível negar-lhes esse pedido de existência, insistentemente repetido em minha mente… “Crie-me, Victor!” (nossa, tô ficando obcecado com esse troço de ambigrama xP). Ok, chega de besteira. Tava sem nada pra fazer… Ou melhor, tinha um monte de coisa pra fazer (é sempre assim, perco mais tempo quando mais preciso dele) e resolvi fazer isso:

NDesign/NDesign

Esbocei a idéia no papel e depois fiz de qualquer jeito no computador. Sim, eu não sei bulhufas de tipografia.

Pra quem não sabe o que é NDesign, veja aqui. Falando nele… Que bagunça, viu… Espero que quando começarem pra valer as palestras, oficinas, visitas técnicas e tudo o mais (segunda-feira, 20 de julho) a coisa tome rumo… Até agora nada tem começado no horário (o que não é exatamente novidade, mas eu nutria esperanças de que a coisa fosse diferente num congresso nacional), o alojamento (acampamento na verdade), cheio de gente sem camisa, acabou tomando áreas que não estavam previstas inicialmente, fazendo todo o local do congresso parecer Woodstock… Mas parece que é porque tinha chovido ou algo do tipo. Vamos ver como as coisas se desenrolam.

P.S.: Foi massa o evento :)! Mudou minha vida… Apesar da desorganização e tudo o mais.



Lavagem Cerebral
17/07/2009, 21:32
Filed under: Poemas | Tags: ,

Uma mentira dita cem vezes torna-se…

Valor moral
Estigma
Religião
Dogma
Aforismo
Doutrina
Ensinamento

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Brinquei com a célebre frase de Josef Goebbels, Ministro de Propaganda de Hitler.



NDesign 2009
17/07/2009, 20:22
Filed under: Artes Visuais, Geral | Tags:

O 19º Encontro Nacional de Estudantes de Design (NDesign, ou apenas N), que acontecerá aqui em Pernambuco, começa amanhã e não estou empolgado. Eu estive bem mais animado para o ÉDesign PE (Encontro Estadual de Estudantes de Design de Pernambuco) 2008, que no final acabou sendo bem fraquinho, especialmente se comparado ao ÉDesign 2007 (primeiro evento de Design a que fui, embora eu não fosse, e ainda não seja, estudante de Design xP…), que foi muito bom. Inclusive a comissão organizadora desse N é praticamente a mesma do É 2007.

A verdade é que estou irritado. Não vou poder participar direito desse N. Um N, poxa! “Um dos maiores acontecimentos de Design da América Latina”, uma oportunidade única de conhecer pessoas interessantes do país inteiro, do exterior talvez, e de aprender muuuuita coisa legal. Quando é que vai ter outro evento desses em Pernambuco? Mas, infelizmente, como não estou de férias do IFPE, e estamos em fim de período por lá, não posso me dar ao luxo de faltar muitas aulas na semana do evento, até porque em muitas delas serão aplicadas provas. Isso automaticamente me impede também de ficar no alojamento do N, já que vou ter que voltar pra casa todo dia, o que me lembra de outro problema: a sede do evento vai ser longe pra caramba (numa faculdade em Olinda), pelo menos pra mim, levo mais de uma hora pra chegar, o que significa que também não vou poder ficar para as festas, que acontecerão muito tarde (esse é o menor dos problemas, não curto festas, muito menos festas cheias de gente). Felizmente estou em recesso do pré-vestibular, por isso vou poder comparecer ao evento todos os dias à tarde.

Outra coisa ruim é que seria uma boa oportunidade de mostrar meu trabalho como artista plástico através de uma atividade do N chamada “Expobit”, mas quando fui pensar nisso as inscrições para ela já haviam acabado. Mas tudo bem, é melhor que minha exposição no CAC-UFPE em agosto seja a minha primeira, já que haverá mais divulgação da mídia em cima dela e “um artista plástico de 17 anos expondo pela primeira vez” soa mais interessante. Eu também poderia ter me inscrito para ministrar uma oficina de ambigramas ou coisa assim, mas tudo bem, fica para a próxima.

Falando na minha exposição, ela é outro dos motivos que me impedem de relaxar e entrar de cabeça no NDesign. Pra começar, deixei de fazer uma obra muito boa, no estilo de Anatomia de Um Coelho, para participar do evento, pois esta semana será a penúltima antes de exposição, e na última tudo já deveria estar pronto, todas as obras com o coordenador da Galeria, emolduradas… Embora eu ainda vá resolver alguns aspectos (quase todos, na verdade) relativos à exibição dos ambigramas (que já é outra preocupação que me impedirá de relaxar durante o evento).

Enfim, meu sentimento é de ter a oportunidade de pegar a Juliana Paes no dia em que me dizem que minha mãe morreu… Não vou aproveitar nada do momento, só vou fazer pra dizer que fiz.



Negro/Branco
17/07/2009, 00:47
Filed under: Ambigramas | Tags: , , ,

Este ambigrama é de um tipo novo, o primeiro tipo realmente inventado por mim, cujo nome ainda não decidi qual vai ser :P. Usa o mesmo princípio visto em Retrato de Jan Švankmajer. A verdade é que esse ambigrama faz parte de um outro desenho meu (no mesmo estilo do anterior) chamado Vitiligo, que não publicarei na internet até o fim da minha exposição (que acontecerá de 3 a 21 de Agosto). Abaixo está a leitura que será vista no desenho normal, onde lê-se “Negro” (não muito claramente, admito, mas fiz o que pude).

Negro/Branco

Negro/Branco

E agora, simulação de como se veria o texto através de duas camadas de papel celofane azul:

Branco

Branco

E, apesar de não estar nos planos fazer isso quando o desenho com o ambigrama for exposto, mostro abaixo como se veria o texto através de duas camadas de papel celofane vermelho:

Negro

Negro



Retroalimentação
16/07/2009, 12:58
Filed under: Poemas | Tags: ,

Dizem que a moda muda
M… moda nenhuma!
Muda é essa gente
Que só abre a boca
Para engolir m… moda
E vomitar essa m… moda de volta
Para que outros engulam

Revoluções, raras verdadeiras revoluções
Acontecem lentamente
Pois quem está um passo à frente, chamam visionário
Mas quem já está a um quilômetro, chamam demente

Perdoem-lhes
A distância demasiada é problemática
Ainda mais para essa gente míope
Até faz o Sol parecer menor que a Terra…



O Malabarista
13/07/2009, 16:38
Filed under: Poemas | Tags: ,

Coisas demais
Ao mesmo tempo

Meu crânio, meu coração
Meu relógio de bolso, meus olhos
O útero de minha mãe, minha próstata
Minha máscara feliz, minha máscara triste
Nada pode cair

É melhor me aplaudirem agora
Não sei se o show vai acabar bem

Ora em minha mão, ora no ar
Ora em minha mão, ora no ar
Ora no chão… Droga!

Ei, por que eu estava preocupado?
Não há vaias!
(A verdade é que não há ninguém)

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Mais um da série Meia-Noite no Circo.