caópolis.


Ambigramas 7
30/06/2009, 19:47
Arquivado em: Ambigramas | Tags: , ,

Bom, acho que já é hora de fazer um pouco de divulgação de verdade deste blog. Vou mostrar meu trabalho para o cartunista, e até certo ponto ídolo, André Dahmer, acho que ele vai gostar. Fiz até um ambigrama com o nome do site dele (um dos poucos que acesso diariamente, há anos – embora há anos o Dahmer não atualize diariamente).

malvados/malvados

malvados/malvados

Falando em ídolos, meu ambigrama-desenho do Malcolm McDowell despertou minha vontade de fazer ambigramas sobre Laranja Mecânica. Fiz um “convencional”, de rotação…

laranja/mecânica

laranja/mecânica

E um de um tipo que chamo de “espaço negativo”, que é um conceito artístico referente ao espaço ocupado por tudo menos o objeto que se observa, aplicado em técnicas de desenho e pintura, e de fácil observação em ilusões de ótica como o vaso de Rubin. Ficou ruim em relação aos outros nesse estilo que já vi por aí, mas é um bom começo…

clockwork/orange

clockwork/orange



Black or White

I said if you’re thinkin’ of being my brother
It don’t matter if you’re…

Black or White

(Solo de guitarra)

Pronto, prestei minha homenagem.

P.S.: Preciso dar um nome a esse tipo de ambigrama…

P.S. (02/08/09): Há uma versão refeita deste ambigrama, para a revista IdeaFixa:
Black or White



Ready for a bit of the old Ultraviolence
28/06/2009, 22:05
Arquivado em: Ambigramas, Desenhos e Pinturas | Tags: , ,

Ready for a bit of the old Ultraviolence

Bem longe de estar tão bom quanto meu primeiro ambigrama no estilo, o do coringa, mas gastei muito mais tempo com ele, e cheguei a parar de tentar por alguns minutos por achar que era impossível. Estou pondo ele aqui mais pelo esforço que gastou do que pelo resultado final. Falando em resultado final… Cara, eu preciso aprender a vetorizar… Faço uns paliativos no Fireworks e no Paint, e até então estava dando para o gasto… Só que fazer todo tipo de ambigrama está virando minha especialidade, e chegará o dia em que eu poderá ganhar dinheiro com isso, mas ambigramas ficam mais bonitinhos e profissionais se estiverem vetorizados, e bem vetorizados.

Para quem não sabe, esse cara do ambigrama é Malcolm McDowell, interpretando Alex DeLarge, no filme Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick, inspirado no livro homônimo de Anthony Burgess. Um ótimo ator num ótimo papel em um ótimo filme de um ótimo diretor, baseado num ótimo livro de um ótimo autor.

A frase usada, retirada do livro e do filme, nem é tão célebre, mas expressa bem a personalidade de Alex (antes do tratamento pelo método Ludovico). “Ready for a bit of the old Ultraviolence“, “Pronto para um pouco da velha Ultraviolência“.

P.S. (02/08/09): Há uma versão refeita deste ambigrama, para a revista IdeaFixa:
Ready for a bit of the old Ultraviolence



Bananas
27/06/2009, 22:24
Arquivado em: Crônicas

Pequena crônica. Espero que gostem. Foi vagamente baseada em fatos reais (eu nunca tive frescura alguma pra comer bananas). Como sempre, disponibilizarei abaixo o arquivo da crônica em .doc, apesar desta ser tão pequena que nem chega a uma página inteira.

Aqui está o link.



Why So Serious?

Sei que ninguém aguenta mais ouvir, ver e falar sobre o coringa mais recente, o interpretado por Heath Ledger, mas essa idéia andava pela minha cabeça há algum tempo, e hoje resolvi começar a rabiscar pra ver se dava certo. Deu.

Why So Serious?

Fiz ainda uma versão colorida (clique para ver uma versão ampliada):

Why So Serious?

Legal, né =P? É um tipo difícil de ambigrama, pois exige não só habilidade com letras e tipografia, mas também habilidade com desenho. Meus primeiros e únicos contatos com esse tipo de ambigrama foram numa campanha publicitária da veja, sob o discutível slogan “Quem lê veja entende os dois lados“, produzida pela agência AlmapBDDO.

Campanha "Quem lê veja entende os dois lados"

P.S. (07/08/09): Há uma versão refeita deste ambigrama, para a revista IdeaFixa:
Why so Serious?



666 – Devil
26/06/2009, 22:11
Arquivado em: Ambigramas | Tags: , , , ,

Este ambigrama merece um post só para ele. Não que eu goste muito de seu significado (nem sou totalmente ateu – sou agnóstico – muito menos satânico), mas a simplicidade, originalidade e perfeição dele são notáveis, parece até que fiz um pacto com o capeta pra fazer um ambigrama tão ideal xP (devil é diabo em inglês).

Está no mesmo nível, se não num maior, que o ambigrama Amor/Love, embora sejam de tipos diferentes. Aquele era um ambigrama de oscilação (as duas leituras possíveis dependem apenas da percepção das letras, não precisa girar nem nada) e este é um de reflexão (a leitura alternativa é vista através de um espelho, ou invertendo-se a imagem com algum programa). Segue abaixo a versão que fiz a mão, escaneei e editei:

This ambigram deserves its own post. It's not that I like its meaning (I'm not completely atheist - I'm agnostic - neither satanic), but its simplicity, originality and perfection are noteworthy. It almost seems I've made a pact with the devil to create such and ideal ambigram xP.

It's on the same level, maybe even higher, than the Amor/Love ambigram, although they are of different kinds. That was a perceptual shift (or oscillation) ambigram (the two possible readings change with the perception of the letters, no rotating or something) and this is a reflection one (the alternative reading is seen using a mirror, or horizontally inverting the image in a program). Below is my handmade version:

666/devil

Refletindo…Reflecting...

devil-666

Esse é ambigrama é certamente um dos meus que mais ficaria legal como tatuagem, ou como elemento de uma história de terror, talvez a marca de um serial killer

This ambigram surely is one of mine that would look cooler as a tatoo, or as an element of a horror story, maybe the mark of a serial killer...



Anatomia de Um Coelho

Finalmente. Esta foi a minha obra que gastou mais tempo, dinheiro, material… Foi a mais planejada, e a que mais demorei a começar a fazer depois que tive a idéia (tive há pelo menos um ano, só comecei a fazer neste domingo). Certamente não é a mais bonita nem a mais legal, mas definitivamente gostei de planejar e fazer. Podem apostar que farei outras obras no estilo, talvez não para a exposição de agosto (já que leva muito tempo, e meu tempo está acabando), mas para uma próxima exposição talvez (óia xP).

Anatomia de Um Coelho

Este “coelho” é um coelho como o de Alice no País das Maravilhas, apressado, preocupado com o trabalho, com o tempo, representando o homem moderno… Há, contudo, algumas diferenças interessantes (que de certa forma enfatizam a imagem original do coelho), e é aí que os materiais falam…

Meus planos originais para o cérebro consistiam em fazê-lo com uma cédula recortada. Tive que mudar de idéia, já que descobri que fazer isso é crime federal. Minha solução foi imprimir a imagem de uma cédula de 10 reais no tamanho normal, e então recortá-la e fazer o cérebro como eu queria. Obviamente isso simboliza que ele só pensa em dinheiro, em lucro, em ganho pessoal.

Anatomia de Um Coelho (detalhe)

O fone está ligado no “coração” do coelho, que é um relógio (funcionando), meio que dizendo que ele só ouve o tique-taque do relógio, só se preocupa com seus horários, seus compromissos, e não “ouve” o mundo ao redor.

O coração-relógio do coelho, por sua vez, cheio de fios e ligado a uma placa de circuito (‘restos mortais’ de um carregador de MP4 =P), dá a nítida impressão de que ele é uma bomba-relógio…

Anatomia de Um Coelho (detalhe)

O esqueleto foi feito com recortes de um livro de física. Não sei claramente por que fiz isso, foi mais para chocar os nerds xP… Mas de certa forma representa a idolatria da ciência pelo “homem moderno” (não que a ciência seja de todo ruim, longe disso, mas essa ciência preocupada com avanços tecnológicos que visam somente lucros cada vez maiores, essa ciência que se esquece das pessoas, essa ciência é ruim).



Ambigramas 6
20/06/2009, 23:36
Arquivado em: Ambigramas | Tags: , ,

Mais ambigramas. Cliquem em cada um para ver em tamanho maior e obter mais informações.



Como Fazer Ambigramas (Parte 1)
20/06/2009, 13:48
Arquivado em: Ambigramas | Tags: , ,

As estatísticas deste blog têm indicado que o que mais atrai visitantes para cá são os ambigramas, especialmente pesquisas sobre “como fazer ambigramas”… Darei o que querem então.

Há a maneira fácil, que é usando geradores automáticos, como o FlipScript, o Ambimatic, e outros. Se isto bastar para você, ok, não precisa ler o resto deste post, pois a seguir iniciarei uma série de tutoriais sobre como fazer ambigramas.

Pretendo fazer um vídeo em breve, mas por ora vou dar algumas “bases teóricas”, e no final do post farei a análise completa de um dos meus ambigramas.

LIÇÃO I – Fazer um ambigrama (de qualquer tipo) sempre consiste em escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo.

Vamos refletir sobre o que acabei de falar… O que é escrever uma palavra? É torná-la legível para você e para os outros. Enquanto ela estiver na sua cabeça, ou escrita em um garrancho que até você tem dificuldade para entender, não pode ser devidamente lida, e não foi, portanto, devidamente escrita. Exceto no caso de médicos e crianças com menos de 6 anos, escrever palavras legíveis não é uma tarefa difícil.

Mas escrever duas (ou mais) ao mesmo tempo… Pode ser até impossível… Cada ambigrama é um achado, uma pedra preciosa, pois nem sempre é possível pegar duas palavras e fazer um ambigrama. A propósito, alguns devem estar achando estranho eu falar que todo ambigrama consiste em escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo, afinal, há ambigramas como:

Caópolis/Caópolis

caópolis

e Reflexo/Reflexo

reflexo

Acontece que para fazer ambigramas como o caópolis/caópolis, eu tenho que escrever a “palavra” caóp e ao mesmo tempo me preocupar se estou escrevendo direito também a “palavra” pólis ao girar o papel, e depois escrevo pólis de forma a parecer caóp, o que na verdade já está feito, é só “girar” a primeira parte e juntar. Esse tipo de ambigrama, chamado “simétrico”, é o mais fácil de se fazer e o com mais chances de dar certo. Tente fazer com seu nome, é um bom começo ;) . No caso do ambigrama reflexo/reflexo, tive que escrever refl e lexo simultaneamente, com a diferença de que, em vez de girar para ver a outra leitura, eu consultava um espelho. Também é um ambigrama simétrico, mas é um tipo mais difícil de se fazer (imagino que tudo isso ficará claro quando eu fizer o vídeo).

Quando digo “escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo”, portanto, quero dizer “preocupar-se em gerar duas ou mais leituras para um mesmo elemento gráfico”. E como fazer isso? Certamente não há regras, mas posso dar algumas dicas. A primeira que darei é a mais óbvia: fazer com que cada letra se pareça com outra quando girada, refletida, etc. Embora raramente funcione 100%, já que precisa que as duas palavras tenham a mesma quantidade de letras, quase sempre é aplicada à maior parte da maior parte dos ambigramas, então definitivamente é o conceito mais importante por trás da criação desses. Se eu fosse enunciar esse conceito, eu diria: “Deve-se desenhar uma letra de modo que ela não se pareça completamente com ela mesma nem com a outra desejada, mas se pareça o suficiente com as duas”.

Para demonstrar tudo isso, analisarei um ambigrama meu onde esse conceito se aplicou integralmente:

verdade/mentira

Vejamos a primeira letra de verdade (e última de mentira):

v-a

O V já se parece com o A de cabeça para baixo. A única diferença é o traço do A, então tratei de amenizar essa diferença (o que talvez nem fosse necessário) colocando esse traço bem para cima no A e o deixando um pouco inclinado. Vamos para a próxima:

e-r

O E é o melhor amigo de quem faz ambigramas. Na maioria das vezes é só adicionar três “espinhos” à esquerda de uma letra, e quando girar ela vai parecer um E, e foi basicamente o que fiz com esse R. Também tentei deixar o R meio aberto e estreito, para não atrapalhar o E.

r-i

Regra geral quando quiser que uma letra se pareça com um I ao ser girada em 180º: faça a letra o mais estreita possível, e ponha um ponto embaixo dela. Quando girar, *plim*, vira um I =). Foi o que fiz aqui.

d-t

Aqui eu alonguei algumas partes do T para dar forma a um D quando girado. A aparência de “machado” que esse T tem é só uma mania estética minha xP, embora tenha servido para acentuar a forma de D, e também a do R do caractere anterior, que estava com a perna curta para se parecer mais com um I ao girar (vejam no ambigrama para entender).

a-n

O N é uma letra problemática, porque quando girado continua parecendo um N. Solução (neste caso)? “Atrofiei” a perna dele que não era aproveitada do A.

d-e

Novamente nosso amiguinho E. Só fiz “envergá-lo” um pouco e esticar umas pernas para parecer um D quando girado.

e-m

O M geralmente é problemático, mas como o E é moleza, acabou não sendo tão difícil juntar um ao outro. O resultado não ficou maravilhoso, mas como o resto das duas palavras já está bem legível, dá até pra “subentender” essa letra, por mais deformada que ela fique.

Concluindo esta lição… Um ambigrama tem tudo a ver com o resultado final e pouco com cada letra. Se a pessoa olhar por alto para o ambigrama e ler “verdade” e depois, girando, ler “mentira”, não importa se um N não está parecendo muito um N ou se um X não parece muito um X, é a leitura das palavras que importa, e as palavras não precisam estar escritas perfeitamente para serem lidas, prova disso são as várias caligrafias legíveis que uma pessoa pode usar para escrever, e as várias e diferentes fontes de texto ( Times New Roman, Old English Text…) usadas em computadores…

Espero ter ajudado =D. Outras lições virão.

P.S.: Só terei tempo para fazer as outras partes deste tutorial depois de dezembro de 2009.



Caópolis v3.35 Final
18/06/2009, 21:03
Arquivado em: Poemas | Tags: , ,

Sempre achei o último poema da série Caópolis (Caópolis v3.32 Final) bem ruinzinho. Desde alguns dias venho pensando em fazer outro para finalizar a série, e eis que hoje eu o fiz. Vejam no post original, substituí o antigo pelo novo, que resolvi chamar de Caópolis v3.35 Final, só para ficar diferente do outro…

Pra quem tem preguiça de clicar no link, eis o poema:

Caópolis v3.35 Final

Os fios não me largam
Estou morrendo, nada sinto
Só uma certa pressa, talvez
(De chegar a lugar nenhum)
Preciso passar o tempo
Nada melhor do que conversar
(Sozinho)

Andei pensando…
Não entendo o preconceito contra prostitutas
Somos todos prostitutas

Vendemos nossos corpos
(Nossos fatigados corpos)
Vendemos nossas mentes
(Nossas frágeis mentes)
Vendemos nosso tempo
(Nosso precioso tempo)
Vendemos nossas almas
(Que almas?)

A sirene, em seguida a frase:
“O trabalho dignifica o homem”
Três vezes
E sorrisos falsos desabrocham
Ao longo do prostíbulo
Nossa alegria artificial precisa ser atualizada

Máquinas cochichando e rindo
Da nossa situação ridícula

Não entendo o preconceito contra postes
Somos todos postes
Grudados no concreto
Transmitindo energia para a nação
Úteis porém insignificantes
(Morro)

—————

Este poema acaba também esclarecendo a metáfora dos “postes”, tão presentes na série, além de explicar melhor a mensagem do desenho alegria_artificial, especialmente a versão refeita, que aproveito a ocasião para avisar que fiz ^^.